ARTIGO: NÓS, OS JAPONESES E A CIENTEC

Artigo do professor Renato de Oliveira publicado nesta segunda-feira (12) no jornal Correio do Povo. Oliveira será um dos palestrantes do Seminário Tecnologia, Inovação e Soberania, promovido no dia 22 de junho marcando as celebrações dos 75 anos do SENGE.

A crer no divulgado, a visita a uma termoelétrica a carvão foi um dos eventos principais, senão o principal, da viagem do governador José Ivo Sartori e comitiva ao Japão. Lá, descobriram a roda: a produção de energia através do carvão é um processo limpo e ambientalmente sustentável, e seus resíduos são úteis. Exemplo visto com admiração, as cinzas da queima do carvão podem ser utilizadas na fabricação de tijolos para a construção civil! O RS possui as maiores reservas de carvão mineral do Brasil, cuja utilização sempre estancou no fato de, entre outras coisas, ser visto como sinônimo de “energia suja”. De fato, a iniciativa de explorar o carvão gaúcho já vem tarde.

O petróleo do pré-sal equivale, em termos de energia, a tão somente um terço do carvão do RS. No entanto, tivesse o Sr. Governador e sua comitiva, antes de dirigir-se ao aeroporto, dobrado à esquerda à saída do Palácio Piratini e descido a Rua Espírito Santo ladeando a Catedral (um belo percurso…), e, uma vez chegados à Rua Washington Luís, dobrado à esquerda, alcançariam, em poucos passos, a Cientec, instituição que o Sr. Governador e seus secretários já deram mostras de não conhecer. Ali, descobririam algo incômodo: a única diferença entre nós e os japoneses, no quesito “carvão mineral”, é que eles utilizam a tecnologia que desenvolvem, enquanto nós punimos quem as desenvolve.

Da mineração à queima, à gaseificação, à manipulação da cadeia de carbono do carvão para dar origem a novos produtos e à sustentabilidade ambiental, a Cientec está up to date. Há décadas vem desenvolvendo tecnologias para o setor. Seria altamente simbólico, e digno do papel de um governador, levar um tijolo feito de cinzas de carvão gaúcho com tecnologia desenvolvida e patenteada pela Cientec há mais de 20 para presentear a usina japonesa e mostrar que, se quiserem vir para o RS, encontrarão parceiros à altura. Que a Assembleia Legislativa, que aprovou a extinção da Cientec, esteja vigilante: não vá o RS, por desconhecimento ou desinteresse dos seus governantes, pagar por tecnologias que já possui.


Fonte: Site do Senge-RS, matéria “ARTIGO: NÓS, OS JAPONESES E A CIENTEC”, de 12/06/2017

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