Oportunidades e Desafios da Tecnologia na Produção foram tratados no 18º Seminário Senge

Abordar os desafios tecnológicos da produção foi o objetivo do primeiro painel apresentado durante o 18º Seminário SENGE. A atividade, realizada na manhã dessa quinta-feira (7), reuniu especialistas para tratar do assunto, trazendo dados e informações acerca não apenas das tecnologias em si mas também do impacto gerado pelo uso correto de inovações aplicáveis ao setor.

FOTOS: JOÃO ALVES

O painel, mediado por José Mário Santos Guedes, teve a participação de José Eloir Denardin, representante da Embrapa Trigo. Para Denardin, a adoção de tecnologia requer, acima de tudo, o manejo do conhecimento. “O uso de tecnologias vai depender do conhecimento que o agricultor tem. A tecnologia é apenas uma ferramenta para a qual é necessário conhecimento; ele é que vai definir os resultados do manejo, afirmou, exemplificando os casos de plantio direto e de sistema de plantio direto. No primeiro, um método importado; o segundo, uma adaptação para as regiões do Brasil, associada ao conservacionismo.

Segundo Denardin, cerca de 60% de hectares produtivos no Brasil são ocupados por uma safra anual – um processo de degradação do nosso solo. “Isso significa que a tecnologia não está sendo empregada para garantir os melhores resultados e a sustentabilidade”, afirmou.

Em seguida, Alberi Noronha, representando a Embrapa Clima Temperado, subiu ao palco para falar sobre tecnologias apropriadas para a agricultura familiar na produção animal e vegetal. Alberi também alertou sobre a necessidade de valorizar a diversidade, destacando, ainda, que é preciso exaltar o saber fazer. O especialista alertou que é preciso evitar o determinismo tecnológico e colocar o agricultor em um papel de protagonismo. “É preciso fazer agricultura com agricultores, não com sistemas robotizados”, exclamou.

Em cenários possíveis, Alberi lembra que o Brasil é uma potencia alimentar que pode ser considerada o “celeiro do mundo”. “Uma das reclamações dos agricultores é as condições desiguais de acesso ao mercado. O que desejamos? Alimento ou comida? Feiras ou supermercados? O alimento é uma fonte de saúde”, destacou.

Em seguida, a plateia que acompanhava a realização do seminário pôde ouvir André Luiz Vieira Correa de Oliveira, do IRGA, e  João Volkmann com a bem-sucedida história de sua propriedade em Sentinela do Sul-RS. O case de arroz biodinâmico da Volkmann Alimentos é referência no setor por diversas razões. Na Fazenda Capão Alto das Criúvas, a produção é feita respeitando o ambiente como um organismo vivo. “ A agricultura é a arte de cultivar paisagens”, citou Volkmann ao início de sua fala. “É uma agricultura pela qual me apaixonei desde a adolescência. Participei de cursos do Lutzemberger. Na época da ditadura, era proibido falar em ecologia, então como jove, o assunto me fascinava ainda mais”, lembrou.

Volkmann contou então a trajetória da Volkmann Alimentos, e rememorou os percalços pelos quais passou com a família até a estabilização e o sucesso do negócio. Nos primeiros anos, tentou fazer rotação nas partes planas da propriedade, mas o solo já mostrou que ali o único cultivo possível seria o arroz. “ O nosso conhecimento sobre solo úmido é muito parco. O banhado tem outra realidade, e nós conhecemos muito pouco sobre sua fertilidade”, declarou.

A apresentação do Painel 1 encerrou a manhã do 18º Seminário SENGE: Agricultura e desenvolvimento – Segurança Alimentar que, no início tá tarde foi retomado com o tema “Políticas Públicas para a Agroindústria Familiar”, no Painel 2.

Veja o material disponibilizado pelos palestrantes: 

ASSISTA À PALESTRA DE JOSÉ ELORI DENARDIN:

ASSISTA À PALESTRA DE ALBERI NORONHA:

ASSISTA À APRESENTAÇÃO DO CASE ” ARROZ BIODINÂMICO”:

 


Fonte: Oportunidades e Desafios da Tecnologia na Produção foram tratados no 18º Seminário Senge, no site do Senge-RS, em 07/12/2017.

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