SEMINÁRIO DISCUTIU A SINERGIA ENTRE A UNIVERSIDADE E O MERCADO PARA A INOVAÇÃO

O papel das universidades e seus polos tecnológicos no ensino e inovação em Engenharia foi o tema do último painel do Seminário Tecnologia, Inovação e Soberania, realizado pelo SENGE na quinta-feira (22) em parceria com a FNE. Com a mediação do engenheiro Carlos Moraes, decano da Escola Politécnica na Unisinos e integrante da comissão técnica do Seminário, o debate reuniu representantes de três importantes polos tecnológicos do Estado.

Dando início ao painel, o professor do Programa de Pós-Graduação em Engenharia Civil da Unisinos, Mauricio Mancio, falou sobre o papel das nossas escolhas tecnológicas para redução dos danos ambientais.

O aumento populacional vem impactando o consumo e também as necessidades de infraestrutura, e por consequência, a Engenharia. Nesse cenário, o professor Mancio salientou que a definição de sustentabilidade é uma equação que deve elevar o desenvolvimento humano, ao mesmo tempo em que reduz o impacto ambiental das nossas atividades.  Exaltou a importância da educação e das campanhas de conscientização para a redução dos impactos ambientais, mas sobretudo uma ação mais efetiva sobre nossas escolhas tecnológicas e a busca de soluções para este passivo dentro da própria tecnologia e da Engenharia. Como exemplos, abordou algumas iniciativas que vêm ganhando espaço, como a energia solar, a eficiência energética nas edificações, materiais sustentáveis para construção, entre outras. “A sustentabilidade exige inovação. Precisamos pensar de uma maneira mais sistêmica, além dos custos e dentro de um contexto global. Precisamos de conscientização e sobretudo de formação de recursos humanos, desenvolvimento de competências, planejamento, otimização de projetos e transferência de tecnologias” afirmou o professor.

Mancio citou o exemplo da China, uma superpotência que nos últimos anos começou a rever a sua política de “crescimento a qualquer preço”, especialmente no que se refere ao impacto gerado pelas suas atividades nos setores industrial e energético. “Um indicativo sobre o índice de inovação de um país é o crescimento do registro de patentes. A China quase duplicou os pedidos de registro nos últimos seis anos, ultrapassando 1 milhão por ano e deixando para trás os Estados Unidos. Não quero dizer, com isso, que devemos seguir o modelo chinês.  Eles ainda estão longe de serem um modelo de desenvolvimento sustentável. Precisamos desenvolver nossas próprias soluções aplicáveis à nossa realidade. Precisamos melhorar as condições de vida e a educação, e assim buscar os nossos índices de desenvolvimento. Nosso país é uma potência a tem condições de investir mais”

O professor também apresentou as diretrizes do trabalho desenvolvido pelo Núcleo de Inovação e Transferência de Tecnologia da Unisinos (NITT), que tem como missão gerar valor para o setor produtivo, por meio da interação universidade-empresa. “A inovação exige parcerias. Ela não acontece exclusivamente dentro da universidade, e sim através da ponte entre o meio acadêmico e o mercado”, explicou Mancio.

Na sequência o professor Eduardo Giugliani abordou a relação entre as universidades e o paradigma dos ambientes de inovação. Giugliani é coordenador de Projetos Estratégicos e Negociação do Parque Científico e Tecnológico da PUCRS (TECNOPUC) e atua junto à Associação dos Parques Tecnológicos – ANPROTEC.

O professor questionou o desenvolvimento do ambiente educacional, que reproduz alguns conceitos utilizados há cerca de três séculos, enquanto a sociedade e seus costumes vêm mudando cada vez mais rápido.

Giugliani explicou que o paradigma do pensamento linear e industrial foi substituído pelo multidisciplinar, imprevisível, colaborativo e disruptivo. A lógica da escassez que fazia com que a informação fosse protegida como fonte de poder foi substituída pela lógica da abundância e do amplo compartilhamento de conhecimentos.

Nesse sentido grandes desafios se apresentam às universidades, buscando a adaptação às gerações futuras, como a chamada “Geração Z” que sucede a Y (Millennials) e traz consigo uma visão e postura movidas pelo desafio e pela ambição profissional e pessoal. “É uma geração eminentemente empreendedora, mais do que as anteriores, porém atua de uma forma mais engajada. Empreendedorismo social é uma das carreiras mais populares nesta geração, que tem como ambição ‘fazer a diferença no mundo’ e causar impacto por onde passam. Assim, a nova universidade deverá estar em sinergia com o mercado, com as startups e com um ecossistema mais aberto, com novos projetos adequados a uma nova cultura, novos valores e padrões de comportamento”, explicou o professor.

Encerrando o painel o case do Parque Tecnológico da Univates (Tecnovates) foi apresentado pelo professor Renato de Oliveira.

A Tecnovates está localizada no Vale do Taquari, que abrange 36 municípios e tem como vocação econômica a produção de commodities. Com a crise do polo metalmecânico da Serra gaúcha, a região foi alçada à melhor renda per capita do RS.

Segundo o professor, a tecnologia é o braço da missão institucional visando desenvolver e contribuir com a economia regional nas áreas de alimentos, meio ambiente (produção de energia pela biomassa) e saúde humana (Lajeado foi eleita como a sétima cidade de pequeno porte com as melhores condições para se envelhecer no país graças a sua boa estrutura médico-hospitalar).

“As universidades comunitárias são os agentes que podem tomar a iniciativa em prol da inovação, criando uma nova mentalidade empresarial para a qual os parques tecnológicos são fundamentais”, explicou Oliveira, que trouxe o paradigma da cultura econômica baseada na “força do costume” para abordar os desafios da Tecnovates em promover a inovação junto aos produtores do Vale do Taquari. “Segundo esse conceito, todo o produtor de bens age adestrado pelo mercado, pelo perfil da demanda. Alguns produtores da região de Lajeado são avessos à inovação, porque vai de encontro ao que vem sendo feito costumeiramente. Para fazer frente a essa cultura, pouco propensa a mudar suas práticas, a Univates utiliza a estratégia da inovação aberta, cujo foco é criar um ambiente para a troca de ideias, circulação de ifrmações e encontro de mentalidades entre os acadêmicos e os produtores, de forma a unir esses dois mundos”, disse o professor.

Assista:

Veja o material das apresentações:

Atração musical

A apresentação do cantor e engenheiro nigeriano Patrick Lumi, participante do The Voice Brasil 2016, encerrou o Seminário.

Fotos: João Alves

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Fonte: Site do Senge-RS, matéria “SEMINÁRIO DISCUTIU A SINERGIA ENTRE A UNIVERSIDADE E O MERCADO PARA A INOVAÇÃO“, de 23/06/2017.

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